TOC e as Novas Abordagens de Tratamento

TOC e as Novas Abordagens de Tratamento

Por:  Psicóloga e Jornalista Mauricéia Quinhoneiro – CRP 06/48759-9      

      Você sabia que a prática de Mindfulness tem mostrado ótimos resultados no tratamento do TOC?

      O transtorno obsessivo compulsivo (TOC) se caracteriza pela presença de obsessões e/ou compulsões excessivas e pouco razoáveis que causam sofrimento, perda de tempo atrapalhando significativamente as atividades da pessoa.

      O conteúdo obsessivo consiste em pensamentos, imagens ou impulsos intrusivos com temas ameaçadores e improváveis.

      As compulsões são respostas comportamentais ou mentais repetitivas e intencionais experimentadas com aflição e urgência.

      A compulsão é usualmente disparada por uma obsessão e, num primeiro momento, diminui ou neutraliza os sentimentos de aflição e ansiedade gerados pela obsessão.

      Os pacientes acreditam que o ritual compulsivo poderá neutralizar as ameaças provenientes do conteúdo obsessivo. Por exemplo, pensamentos intrusivos ameaçadores com o tema de contaminação são combatidos com o ritual repetitivo de lavar as mãos.

      A ocorrência dos pensamentos obsessivos tende a agravar-se à medida que são realizados os rituais e pode transformar-se num grande tormento para a vida da pessoa.

      Existem diferentes tipos de conteúdos obsessivos e compulsivos. Os principais temas são: limpeza, verificação, ordenação, segurança  e acumulação.

      Alterações na comunicação entre determinadas zonas cerebrais,  fatores psicológicos e histórico familiar  estão entre as possíveis causas do TOC.

      A presença de pensamentos obsessivos que levam à realização de um ritual compulsivo para aplacar a ansiedade é a principal evidência do TOC.  A pessoa pode apresentar  preocupação excessiva com limpeza e higiene pessoal, dificuldade para cumprir horários e para realizar atividades de rotina, indecisão e pensamentos ameaçadores  relacionados com morte, acidentes ou doenças.

     A associação de medicamento e psicoterapia costuma ser a melhor indicação e tratamento. Antidepressivos inibidores da recaptação de serotonina são os únicos  medicamentos com eficácia comprovada.

    A terapia comportamental  através da técnica de exposição e prevenção de resposta ( EPR) baseada na teoria da aprendizagem, provou ser um tratamento altamente eficaz para a maior parte dos tipos de TOC. De forma geral, tal técnica consiste no enfrentamento  do estímulo ameaçador caracterizado pelas obsessões sem sucumbir aos rituais compulsivos para aliviar ou neutralizar a ansiedade. Desta forma, o paciente aprende a habituar-se à obsessão que provoca o medo e a urgência do ritual compulsivo tende a diminuir por falta  de reforço. O paciente então pode observar que apesar da não realização do ritual nada de ruim acontece contrariando suas hipóteses negativas.

     Embora a técnica de exposição e prevenção de resposta seja a primeira indicação terapêutica para o tratamento do TOC com um índice de eficácia de cerca de 80%, um número significativo de pacientes não responde ao tratamento de exposição. Recusa, interrupção e não submissão às tarefas de exposição por parte de um grande grupo de pacientes levou ao estudo de outras formas de tratamento.

     A terapia cognitivo-comportamental (TCC) tem se mostrado como alternativa e/ou  contribuição ao  modelo comportamental de exposição. Nesta abordagem, o paciente é instruído a reconhecer as obsessões como pensamentos intrusivos e avalia-los de forma correta e funcional. Neste sentido, entende-se que a avaliação falha dos conteúdos intrusivos é o que leva à persistência das obsessões.

      Embora promissores, os estudos que comprovam a eficácia da abordagem cognitivo-comportamental no TOC ainda não são conclusivos. Entre as hipóteses atualmente investigadas destaca-se a identificação de alguns padrões pessoais importantes na vulnerabilidade ao TOC, tais como: a avaliação de responsabilidade inflada, a significância pessoal, intolerância a incertezas, perfeccionismo, necessidade de controle, entre outras.

      Novos campos de pesquisa investigam o potencial terapêutico da meditação da plena atenção (mindfulness) em pacientes com TOC. Foi demonstrado  que o esforço mental voluntário e consciente pode alterar certos circuitos cerebrais, diminuindo a atividade no córtex frontal orbital, centro do circuito do TOC. Outros estudos também associaram o mindfulness com uma maior ativação de regiões cerebrais associadas a aspectos afetivo-emocionais. Isso sugere a capacidade do treinamento mental de produzir um estado cerebral elevado associado a percepção, solução de problemas e consciência.

      Mindfulness, ou meditação da consciência atenta é uma técnica de treinamento mental da atenção por meio da observação direta das experiências internas do corpo e da mente de maneira completamente consciente e sem julgamentos.

      Esta prática  permite que a pessoa se posicione a certa distância dos conteúdos mentais, observando o corpo momento a momento, como a respiração, os batimentos cardíacos, as sensações; além das emoções e os pensamentos espontâneos, de modo a lidar com eles com amorosidade e aceitação

      A prática do mindfulness  permite que o indivíduo perceba o surgimento dos estados corporais e psicológicos e que desenvolva gradualmente a capacidade de não se identificar com tais estados, podendo escolher uma forma mais saudável e equilibrada de responder a essas experiências.

      Mindfulness não se constitui como um processo de terapia, mas como um complemento aos tratamentos médicos e psicológicos. A proposta é ajudar o paciente a desenvolver recursos internos e habilidades que possam ser aplicadas no dia a dia como meio de enfrentar o estresse, a dor e as enfermidades de forma mais eficaz.

Até o próximo artigo!

Mauricéia Quinhoneiro