Qual é a importância da infância para a maturidade sexual do adulto?

Qual é a importância da infância para a maturidade sexual do adulto?

Por: Psicóloga Patricia Figueiredo- CRP 06/96792

Quem me conhece ou me acompanha sabe que sou mãe de um menino de
dois anos. E desde que engravidei, tenho estudado mais profundamente
sobre gravidez, parto e desenvolvimento infantil. Tinha um livro da
abordagem bioenergética na minha estante, o qual li algumas páginas há
muitos anos atrás. Chama-se Amor e Orgasmo, de Alexander Lowen. E
recentemente ele tem sido meu livro de cabeceira. Nunca imaginei que em
um livro com este nome haveria desenvolvimento infantil. Pois é queridos,
não é a toa que eu o busquei novamente.

No livro, é citado que há duas situações que promovem a dissociação entre
sexo e amor na infância. Uma é a fixação do desenvolvimento psicossexual
da criança no nível oral, devido à falta de gratificação de suas necessidades
orais. E a outra é a proibição imposta sobre as manifestações sexuais, que
são normais nas crianças.

As necessidades orais da criança incluem as necessidades de contato
corporal, de alimento, de afeto e cuidado. Se a gente for analisar, as duas
primeiras são satisfeitas pela amamentação ao seio. Além do mais, Lowen
traz a relação entre a boca e o mamilo, que é o protótipo da futura relação
genital entre pênis e vagina. Através da amamentação, a criança manifesta
seu amor e sua mãe a retribui, e elas se fundem numa pessoa só (igual na
relação sexual). A qualidade do amor que a criança sente neste encontro
determinará a forma de suas respostas amorosas quando for adulta.
Lowen trouxe o experimento dos macacos que comprovam o parágrafo
anterior. Macacos rhesus recém nascidos foram separados de suas mães e
criados com mãe substitutas. Estas últimas eram feitas de arame, sendo
uma delas revestida de película aquecida, e a outra dotada de uma
mamadeira com bico para promover nutrição. Descobriu-se que os macacos
bebês preferiram a mãe de pelúcia. Ou seja, sua necessidade de acolhimento
era maior do que sua necessidade de alimento. E pasmem, todos os
macacos do experimento não conseguiram realizar com êxito o ato sexual
quando atingiram a maturidade.

Conclui-se que a privação de amor durante os primeiros anos de vida resulta
numa pessoa não preenchida, vazia e emocionalmente imatura.
Consequentemente apresenta relacionamentos dependentes pelo anseio da
necessidade de contato, ou pessoas que têm relação sexual, e que não veem
o amor como parte importante do sexo. Quantos casos não vemos por aí de
adultos com estes “sintomas”?

Lowen traz a segunda situação de cisão entre o amor e sexo, que é a
proibição e repressão de qualquer manifestação da sexualidade infantil pelos

pais e cuidadores. A severidade das proibições que são comuns de serem
acompanhadas de punição é um reflexo direto da culpa dos pais quanto à
própria sexualidade, que é projetada e condicionada nos seus filhos. Porém
vale frisar que a atividade sexual da criança embora dê prazer e satisfação,
serve o mesmo objetivo que as demais atividades lúdicas: descobrir o mundo
e as possibilidades de prazer. Não há malícia ou algo de errado, como
pensam os pais. É simplesmente normal e natural. E deixá-lo explorar o
próprio corpo, e explicar à eles o local e momento apropriados para tal
exploração.

Na Antroposofia, Rudolf Steiner traz a presença de 12 sentidos, em vez de
cinco somente como conhecemos no senso comum. Mas quero me focar no
primeiro setênio, em que Steiner fala que é muito valioso o desenvolvimento
de quatro sentidos: tato, vital, movimento e equilíbrio. E hoje irei falar do tato,
que é o sentido que tem mais a ver com a leitura do livro que trouxe.
O tato é desenvolvido pelo aconchego proporcionado pela mãe, pelo olhar
amoroso, pelo carinho, pelo toque de sua voz terna. E claro pela
amamentação. Só este ato, você preenche os órgãos com um leite saboroso,
nutritivo e quentinho, acariciando todos os centímetros do corpo interno do
bebê. Lembre que os órgãos tem pele também. A pele já é um órgão, e o
maior de todos. O bebê está sendo abraçado e olhado. Por isso da
importância de enquanto amamentar você olhar para seu filho, e não para
uma TV. Isso faz a diferença, pois aumenta o vínculo entre vocês. Assim, o
sentido vital também é estimulado, pois este sentido é responsável pelo bem-
estar do seu bebê.

Mas algumas de vocês devem estar perguntando: mas e as mães que não
têm leite ou não quiseram amamentar? Sem problemas. Dê a mamadeira
dando o aconchego e o tateie com as mãos, voz e olhares. E se possível, em
vez de chupetas, que são feitas de material plástico, se for do seu agrado, dê
seu peito para ser mais intenso e puro este contato. Não quer? Tudo bem,
mãe feliz, bebê feliz. Mas lembre-se que você está fazendo um bem
tremendo para seu desenvolvimento emocional e que vai mais além, para
seu desenvolvimento sexual. Neste caso, pode ser que ele irá ter prazer na
relação sexual, e mais que isso, ele conectará o sexo com o amor.
Isso tem sido desafiante de encontrar na nossa sociedade, afinal muitas
pessoas têm relação sexual somente para ter prazer ou liberar tensão.
Esquecem-se que o mais lindo desse encontro, é a conexão que você pode
ter com a pessoa, e a conexão entre o divino que habita em ambas as
pessoas. Na nossa sociedade atual, a exploração da pele na relação sexual
foi minimizada e as pessoas só ficam fixadas no genital. Podemos levantar
essa hipótese não? Do quanto as pessoas não foram devidamente satisfeitas
na sua fase oral.

Meu filho tem dois anos e ainda o amamento. Muito pouco por dia, talvez 10
minutos por dia no máximo. Porém hoje é o que ele precisa, e tem diminuído
pouco a pouco. Ouço críticas, olhares e mensagens de que ele já esta
grande para isso. Mas aí me pergunto? Por que crianças de dois anos podem

usar chupeta e não "chupetar" o peito de sua mãe? Meu filho não usa
chupeta, mas pede meu peito. Chupeta pode, e peito não? Será que essa
rejeição do peito com o filho não tem a ver com a sexualidade reprimida?
Vale a reflexão.

Meu filho ainda usa fraldas. Se for pensar na teoria psicanalítica, Freud
trouxe que após a fase oral, vem a fase anal, em que a criança passa a
desenvolver a força dos esfíncteres e ter consciência deles, para assim
deixar de usar fraldas. Sinto que neste momento, é natural o desmame, que é
justamente a briga dos pais com a tal chupeta. As crianças ficam
dependentes da chupeta, e acredito que na verdade é porque a satisfação
oral não foi suprida e a chupeta torna-se um amuleto. Gente, estou falando
de casos gerais, porem eu sei que não se aplica a todas as crianças. Mas
gostaria de ouvir vocês psicólogos sobre isso! Comentem!

Espero que tenham gostado. Luz e amor, Patricia Figueiredo.
Instagram/ facebook: @patriciafigueiredosaude

 

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