Os Componentes do desenvolvimento humano – Quem sou eu?

Os Componentes do desenvolvimento humano – Quem sou eu?

Por: Psicóloga Sandra Pirola Bezerra, CRP nº 06/48285

O autoconhecimento hoje em dia ficou muito popular, tão popular que às vezes apresenta certa característica de psicologismo.

Digo isso porque o assunto é muito profundo e importante para o desempenho profissional de um psicólogo.

Desde a infância fazemos a pergunta a nós mesmos: Quem sou eu? E no início de maneira angustiante procuramos respostas que são vagas pela imaturidade momentânea da nossa mente. Sentimos medo e muitas vezes procuramos fugir desses pensamentos.

Porém, à medida que vamos crescendo, é fundamental que mergulhemos neste universo desconhecido do nosso EU e procuremos as respostas para nosso crescimento pessoal e profissional.

Você se conhece? Você se conhece como a palma de sua mão? A correria da nossa vida ou até diria, da nossa mente, não proporciona uma pausa para nos olharmos e conhecermos nosso corpo, nossa história e nossas raízes. Não mesmo conhecemos as linhas contidas na nossa mão.

O autoconhecimento é um chamado para dentro de si mesmo. De certa forma possui uma relação direta com a vocação. Vocação é o chamado, chamado este a ser mais pessoa, ser mais gente.

A dimensão própria do ser humano segundo a Logoterapia é a dimensão espiritual. Dimensão esta que nos remete ao que é próprio do ser humano como a capacidade de escolher com liberdade e responsabilidade quem se quer ser, dimensão das propriedades do ser humano como a criatividade, religiosidade, etc.

Essa dimensão nos permite, por meio de uma análise pessoal, propor a nós mesmos melhorias que nos ajudam a ser mais gente, a atender esse chamado da própria vida.

O autoconhecimento não é uma meta isolada, é um processo de desenvolvimento pessoal, que possibilita ao ser humano uma descoberta das suas experiências, sentimentos e condutas para viver melhor e se relacionar melhor com os outros. Portanto, é necessário saber o que precisamos mudar? Que máscaras precisamos retirar? E quais valores precisamos praticar no dia a dia?

Para nos conhecermos é preciso conhecer nossas qualidades e defeitos, isto é, as caraterísticas da nossa personalidade. Depois precisamos compreender nossas raízes, nossa história familiar, fazer uma revisão sobre a linha da vida e analisar aquilo que o motiva na vida, os papéis que desempenho e por fim o significado do trabalho. Mas será que sabemos quem somos? E o que pensam de nós? A janela de Johari também aborda esse assunto por outro ângulo.

Janela de Johari é uma ferramenta conceitual, criada por Joseph Luft e Harrington Ingham em 1955, que tem como objetivo auxiliar no entendimento da comunicação interpessoal e nos relacionamentos com um grupo.

Esse conceito pode aplicar-se ao estudo a interação e das relações interpessoais em várias situações, indivíduos e grupos.

O conceito tem um modelo de representação que permite revelar o grau de lucidez nas relações interpessoais, relativamente a um dado ego, classificando os elementos que as dominam, num gráfico de duas entradas (janela): busca de feedback versus autoexposição, subdividido em quatro áreas:

  • área livre ou eu aberto ou arena;
  • área cega ou eu cego;
  • área secreta ou eu secreto;
  • área inconsciente ou eu desconhecido.

 

Para compreender o modelo de representação, imagine uma janela com quatro “vidros” e que cada “vidro” corresponde a uma área anteriormente descrita, sendo a definição de cada uma delas:

  • área livre ou eu aberto ou arena – zona que integra conhecimento do ego e também dos outros;
  • área cega ou eu cego – zona de conhecimento apenas detido pelos outros, portanto desconhecido do ego;
  • área secreta ou eu secreto – zona de conhecimento pertencente ao ego e que não partilha com os outros;
  • área inconsciente ou eu desconhecido – zona que detêm os elementos de uma relação em que nem o ego, nem os outros têm consciência ou conhecimento.

 

A janela de Johari deixa claro que após o autoconhecimento, ainda precisamos enfrentar o desafio de conhecer o que os outros pensam a nosso respeito, isto é, o que a nossa imagem transmite aos que nos cercam. Desta maneira, também teremos mais ferramentas para ampliar nosso autoconhecimento e buscar novas formas de ser, pensar e agir.

Um psicólogo, que estimula esse processo de autoconhecimento aos outros, não pode deixar de executá-lo consigo mesmo, afinal é a nossa maturidade emocional que irá ser o diferencial na arte de auxiliar os demais no conhecimento da mente humana.

Contudo, precisamos exercitar o silêncio para nos ouvir, nos sentir… Enfim nos perceber. Será que conseguimos silenciar nosso pensamento e mergulhar nesse desafio de nos conhecermos?

A medida que nos conhecemos vai ficando mais claro o verdadeiro sentido da nossa vida.

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Bibliografia:

CAMBELLER, C.R;IBAÑEZ, J.D.; DIAZ, M.G..Persona, Familia y Trabajo, Editorial Dianna, Mexico