Os Componentes do desenvolvimento humano – Parte 2

Os Componentes do desenvolvimento humano – Parte 2

Por: Psicóloga Sandra Pirola Bezerra, CRP nº 06/48285

O primeiro componente trata-se da autopercepção: maneira como percebemos ou vemos a nós mesmos. A percepção amplia nossa consciência e favorece um mergulho interior.

Como você se percebe? Você tem semancol?
Estamos falando da capacidade de perceber a si mesmo.

Atualmente, temos vivido uma era de automatismo. Não percebemos como estamos, nem o que estamos sentindo, e tão pouco como estamos reagindo ou como estamos vivendo.

Parece que estamos dentro de um carro com piloto automático, ar- condicionado e insulfilm. O mundo lá dentro é muito diferente do que está se passando fora. Ao descermos do carro percebemos quão quente, barulhento,
claro e iluminado está o dia.

Nossos sentidos estão anestesiados e um psicólogo precisa estar com os sentidos aguçados para perceber-se e perceber ao outro. Precisamos olhar, cheirar, sentir e ouvir como ninguém. É nosso papel auxiliar o outro nessa
amplitude de percepção.

Sthephen Covey coloca que “a palavra paradigma vem do grego. Na origem, era um termo científico, mas hoje é usada para definir o modelo, uma teoria, percepção, algo de referência. De uma maneira mais geral, é a maneira
como “VEMOS” o mundo – não só no sentido visual, mas em termo de percepção, compreensão e interpretação.

Nossas atitudes e comportamentos derivam de pressuposto. A maneira como vemos o mundo é a fonte de nossa forma de pensar e agir. Então o nível humano, SER é VER. Aquilo que vemos está profundamente ligado com o que
somos. Não conseguimos ir muito longe à tentativa de mudar o que vemos sem simultaneamente modificar nosso ser e vice-versa.”

Um olhar embaçado para si mesmo atrapalha a autoconsciência, deturpa a realidade e faz uma análise comprometida de si e do mundo.
Hoje em dias as pessoas reclamam de fome, de dor, de cansaço, de problemas sem antes fazer um mergulho interior. Parece que o relógio biológico dispara uma mensagem e na hora exata reproduzimos as sensações.

Somos totalmente previsíveis. Tão previsíveis ao ponto de perdermos a credibilidade das pessoas que nos cercam. Parecemos crianças que reclamam de dor para ter a atenção dos pais.

De quem estamos querendo chamar a atenção? Talvez de nós mesmos.

Quando ampliamos a percepção de nós mesmos, aumentamos a nossa autoconsciência e começamos a mandar novos sinais para nossa mente. Podemos fazer uma experiência sensorial e de amor próprio que resgata o sentido da vida.Podemos controlar a dor, a emoção, a reação.

Na agitação do dia a dia nossos sentidos ficam anestesiados e automaticamente não interferimos na nossa reação.

No livro: Seja seu próprio Psicólogo, Miguel Lucas orienta:

a) “Como limpar nosso olhar?

Aprendendo a “ver-me” e a “ver”.
Quem aprende a observar-se a si mesmo, encontra a si mesmo.
Quantas vezes você se olhou realmente?
Quando começamos a compreender como somos, então descobrimos quais são os pensamentos e sentimentos que guiam o que dizemos e fazemos.

b) Como aprender a “ver-me” e a “ver”?

Se quero ver através de um copo cheio de suco de maça, não posso ver o que há atrás dele.
Quando aprendo a observar-me, me encontro a mim mesmo.

 

Mas se deixo o suco repousar, conseguirei ver claro o que está atrás do copo.

Quando estamos perturbados, não vemos tudo claro. Se estamos tranquilos, como no caso do copo de suco de maça repousado, vemos tudo claro.

Como está meu copo? O que tenho que fazer é o meu esvaziamento, como os meios hábeis e idôneos.

 

 

Minha tarefa fundamental é que eu esteja calmo. O sendeiro (caminho) espiritual tem início esvaziando, camada após camada, as estruturas do EU que condicionam a percepção da realidade. Meu esvaziamento é a via régia para transcender o EU e começar a perceber a vida de outro modo.”

À medida que o movimento vai passando a polpa se acomoda no fundo do copo e conseguimos perceber uma parte escura e uma parte clara perto da superfície. Conseguimos analisar melhor o que tem no copo, os fenômenos
que interferem e com isso ampliamos nosso entendimento daquele processo.

Conhecer o processo é ampliar, alargar, clarear o que vemos e com isso interferir nessa nossa realidade.

Em outras palavras ficamos mais próximos de nós mesmos, ficamos em maior contato conosco, ficamos mais perceptivos e com maior domínio para interferir na nossa realidade e mudar aquilo que não contribui com nosso
crescimento, com nossa evolução, enfim com nossa plenitude.

Como auxiliar outros na sua forma de ver e perceber o mundo se não
cuidamos da nossa maneira de ver e perceber a nós mesmo?

 

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