Falando de Supervisões Clínicas

Falando de Supervisões Clínicas

Por: Psicóloga Lara Doumen Zimmer- CRP nº 06/51726-2

“Para ser competente como um terapeuta cognitivo é necessário ter conhecimento sobre a terapia cognitiva e a habilidade para aplicar esta teoria de forma estruturada. Para tanto, terapeutas devem ser capazes de formular uma conceituação útil do caso e habilidosamente aplicar métodos clínicos, empiricamente fundamentados, em uma relação terapêutica colaborativa”.

Christine A. Padesky

Se você terapeuta cognitivo tem dúvidas sobre uma conceituação e formulação de caso, não sabe qual técnica escolher ou a mais apropriada para seu paciente, tem dúvidas na estruturação da sessão, ou ainda, tem dificuldade em lidar com questões éticas que são mais delicadas ou difíceis; tem dúvidas sobre quais livros didáticos são de leitura obrigatória…. a supervisão clínica se faz indispensável.

Entenda melhor:

As supervisões são parte fundamental na vida de um terapeuta cognitivo. Quando sou procurada como supervisora clínica, levo em consideração alguns itens que ajudarão a planejar todo o trabalho de supervisão. Alguns pontos que costumo avaliar:

A-  Experiência que o profissional tem com a TCC;

B-  Suas potencialidades  e fraquezas em suas habilidades para a TCC (aqui levantamos objetivos específicos para a supervisão focados na aprendizagem);

Entendendo que:

– terapeutas iniciantes aprendem a dominar métodos da TCC, processos clínicos e habilidades de conceituação e formulação de caso.

– terapeutas intermediários tem o foco em melhorar o relacionamento paciente x terapeuta.

– terapeutas avançados aprendem a fazer perguntas avançadas.

Quanto maior o domínio, maior a proficiência.

O supervisionando também é orientado a complementar seu estudo com a indicação do material de leitura necessário como suporte para cada fase que se encontra em suas supervisões.

Essa é a parte bonita, e bem estruturada das supervisões.

Mas na verdade, tenho algumas perguntas para você:

– Quantas vezes você já se viu sozinha/o dentro de sua sala pensando o que fazer com  “aquele paciente” ?

– Quantas vezes  você se pegou assustada/o pela demanda do seu paciente, inclusive por saber que ele corre SIM o risco de se matar ?

São tantas as demandas que inclusive não nos falaram sobre elas na faculdade….

E como cobrar o seu valor de sessão?

E quando devo partir para uma terapia ? Sim… Porque muitas vezes existem  demandas diferentes e algumas são em momentos diferentes. Um bom supervisor sabe identificar essas questões.

E a solidão que sentimos em nossa jornada de trabalho? Sim, porque nossos pacientes não são nossos amigos. Eu mesma, muitas vezes estou aqui no meu consultório, sei que tenho minhas colegas aqui do lado, mas não temos tempo de ao menos tomarmos um café juntas. É… nossa realidade não é tão sublime assim. Brinco sempre que cada um sabe as dores e as delícias de fazer o que fazemos.  

Por isso as supervisões  sejam em grupo ou individual servem principalmente para as questões do autocuidado (quanto melhor me cuido, mais suave fica meu trabalho). Suas dúvidas, suas dificuldades enquanto terapeuta serão sanadas e automaticamente você melhora e evolui enquanto pessoa  E  terapeuta.  A melhor  talvez seja você se sentir parte de algo, diminuindo sua sensação de desamparo.  

Infelizmente não temos ainda uma cultura em nosso meio de formação continuada como em outros países. Vejo melhoras de alguns anos para cá. Muitos colegas investindo e buscando se aperfeiçoar, mas ainda são minoria. Não podemos perder de vista que lidamos com o mais precioso de todos os bens de um indivíduo: sua psique. Ainda acha pouco ?

Vejo você no próximo texto…

Beijo

Lara