Conduta ética

Conduta ética

Por Psicóloga Gretta Souza : CRP 06/73942

O que seria ter uma conduta ética?
Será que estou agindo de acordo com meu código de ética profissional?
E meu código de ética pessoal? Qual seria?

Diante dessas questões em uma conversa deliciosa acompanhada de um café carinhoso surgiu este tema importante a ser aqui relatado!

Se fizermos uma breve pesquisa pela internet sobre “Ética Profissional “ acharemos que:

“Ética profissional é o conjunto de normas éticas que formam a consciência do profissional e representam imperativos de sua conduta.
Ética é uma palavra de origem grega (éthos), que significa “propriedade do caráter”.

O indivíduo que tem ética profissional cumpre com todas as atividades de sua profissão, seguindo os princípios determinados pela sociedade e pelo seu grupo de trabalho.
Cada profissão tem o seu próprio código de ética, que pode variar ligeiramente, graças a diferentes áreas de atuação.
No entanto, há elementos da ética profissional que são universais e por isso aplicáveis a qualquer atividade profissional, como a honestidade, responsabilidade, competência e etc.”

Como esta página é destinada principalmente aos profissionais psicólogos, e em uma conversa com Aline Roveda falávamos sobre conduta ética, achamos relevantes destacar o tema.
Dentro de nosso código de ética encontra-se várias descrições sobre Responsabilidades do Psicólogo, e após algumas conversas, resolvemos comentar mais detalhadamente sobre algumas descrições que cito neste texto:
Entre os deveres fundamentais dos psicólogos encontramos:
“Ter, para com o trabalho dos psicólogos e de outros profissionais, respeito, consideração e solidariedade, e, quando solicitado, colaborar com estes, salvo impedimento por motivo relevante;
“Sugerir serviços de outros psicólogos, sempre que, por motivos justificáveis, não puderem ser continuados pelo profissional que os assumiu inicialmente, fornecendo ao seu substituto as informações necessárias à continuidade do trabalho“. (retirado do Código de ética – site

Desde antes de minha formação, quando estudava e realizava trabalhos voluntários eu sentia a força do trabalho com colegas em prol do cliente. O cliente desenvolve muito melhor quando existe a parceria dos profissionais. E, por acreditar que espaço para os bons profissionais sempre existirá, por ser humana e também ter minhas limitações, sei que existem profissionais mais qualificados do que eu para muitos casos dos quais não dou conta as vezes de atender e então cabe a mim, olhar essas questões e direcionar o melhor para o cliente, encaminhando assim para algum colega de maior competência para o caso.
Tenho o costume de dizer aos meus colegas de supervisão que “devemos assumir que:
– Não somos salvadores do mundo; ou seja não temos e não daremos conta de tudo;
– Temos que, saber como e principalmente, quais os casos que devem ser encaminhados a profissionais mais competentes que nós”.
Isso é ter conduta ética em benefício ao cliente que nos procura.

Outra questão de extrema relevância é sobre o valor das consultas vinculado ao tempo de duração de tais consultas. Tal questão surge nos atendimentos em instituições, projetos sociais e convênios de saúde.
O próprio CRP (Conselho de Psicologia) deixa claro que :
“… Em alguns casos os(as) alegam que o tempo das sessões precisa ser reduzido para conseguir atender a demanda do serviço. Outros(as) justificam a redução pelos baixos honorários pagos. Alguns explicam a redução do tempo do atendimento por realizarem a modalidade de psicoterapia breve.

Esses são alguns dos equívocos que chegam até a Comissão de Orientação do CRP SP.

Podemos nos perguntar então: o que de fato referência o estabelecimento do tempo de uma sessão psicológica? Qual a responsabilidade do(a) psicólogo(a) nessas situações?

Essa Resolução e a Regulamentação do Sistema Conselhos não definem especificamente o tempo de duração do atendimento e, mesmo considerando as diferentes abordagens adotadas na prática psicoterapêutica, isto NÃO dá em absoluto aos ou às instituições o direito de decidir por esse aspecto indiscriminadamente.

Desse modo é fundamental que, na prática profissional, o(a) psicólogo(a) tenha clareza dos limites relacionados às técnicas e à teoria adotada, garantindo a qualidade dos serviços prestados.

O Conselho orienta que quando o(a) psicólogo(a) recebe da instituição onde trabalha a exigência de realizar uma demanda grande de atendimentos num tempo reduzido, que ele(a) argumente sobre os princípios que regem a profissão de psicólogo(a), buscando propor outras intervenções que não interfiram na qualidade do serviço prestados e atendam a demanda proposta, como por exemplo atendimentos em grupo, respeitando os limites teóricos e técnicos dessa especificidade de atendimento.

Alertamos também que o(a) psicólogo(a) não deve definir o tempo de uma sessão orientado pelo valor recebido, relacionando os valores baixos ao tempo reduzido da sessão. Conforme dispõe o Código de Ética no artigo 4º alínea “c”:

Art. 4º – Ao fixar a remuneração pelo seu trabalho, o psicólogo:
Assegurará a qualidade dos serviços oferecidos independentemente do valor acordado.

Assim, a redução do tempo de atendimento pelo pagamento de honorários considerados baixos não poderá ser uma justificativa do(a) psicólogo(a) em seu trabalho, sob risco de infringir o Código de Ética.

Outro aspecto NÃO aceito na redução do tempo de atendimento diz respeito à indicação de tratar-se de uma psicoterapia breve, já que como técnica a Psicoterapia Breve não propõe a redução do tempo das sessões, mas sim a quantidade das mesmas, o que pode implicar, mais uma vez, na qualidade do serviço prestado e infração ao Código de Ética. “
(texto do Conselho Federal Psicologia)

Creio que a partir do momento que me disponibilizo a atender em projetos sociais, instituições ou convênios preciso claramente entender o que isso significa emocionalmente e profissionalmente dentro de mim enquanto profissional que zela pela érica e desenvolvimento saudável ao meu cliente.
Vale refletir: Será que é ético colocarmos valores financeiros a frente do nosso cliente, da proposta do que é melhor no desenvolvimento emocional para nossos clientes?
O que acham de juntos interpretarmos nosso Código de Ética visando o principal: nosso cliente e não nosso bolso?