A Biografia Humana Segundo a Antroposofia

A Biografia Humana Segundo a Antroposofia

Por: Psicóloga Patricia Figueiredo- CRP 06/96792

Neste artigo, falarei de um tema profundamente explorado na  Antroposofia, que é a Biografia. Ela é dividida em setênios, de sete em sete anos,  e são esperadas crises ao longo da vida, que são comuns a todas as pessoas. Essas  crises são oportunidades para o crescimento e evolução individual. Irei me basear no livro “Tomar a vida com as próprias mãos: como trabalhar a própria biografia o conhecimento das leis gerais do desenvolvimento humano”, da Gudrun Burkhard.

No primeiro setênio (até 7 anos) , o crescimento do corpo da criança é muito grande ao longo destes sete anos. A criança aprende por imitação, sendo os pais os maiores  exemplos. Por isso, a importância da autoeducação destes pais, já que a criança é  uma esponja que absorve tudo que a rodeia.  Alimentação e sono com ritmo e  horários estabelecidos ajudam a organizar o mundo interno da criança.

O segundo setênio (07 a 14 anos) é a base para o crescimento psicológico da criança. Ao redor de nove anos, a criança apresenta uma maior consciência do sentimento, tendo uma maior vivência de sua individualidade. Neste momento, a criança se sente só, incompreendida, é crítica, e precisa de muito carinho para conseguir relacionar-se socialmente. Neste setênio, há uma maior entrega para o mundo, saindo um pouco do ninho familiar. O professor torna-se uma nova referência amada, o transmissor da verdade.

O terceiro setênio (14 a 21 anos) corresponde ao amadurecimento social do indivíduo.  Há crescimento corpóreo intenso, maturação sexual e desenvolvimento emocional. O jovem começar a conectar-se com o mundo podendo atuar na  sociedade ativamente. Por isso, há a necessidade de buscar novas referências  fora do âmbito familiar. Diante da responsabilidade, muitos jovens podem fugir  para as drogas ou pararem de se alimentar para manter o corpo de criança (anorexia).

O quarto setênio (21 a 28 anos) é uma fase de instabilidade emocional e insegurança interior, sendo influenciada pelo ambiente. Por isso é preciso atingir o equilíbrio entre os altos e baixos, adquirir autoconfiança e desenvolver empatia. O perigo dessa fase é moldar-se ao externo ou cair na tentação dos prazeres da sociedade.

No quinto setênio (28 a 35 anos), já é esperado um crescimento das vivências interiores, uma maior organização nas esferas pessoais e profissionais e portanto um maior comprometimento e seriedade nas tarefas cotidianas. É importante que haja a integração do sentimento e afeto à sua racionalidade.

No sexto setênio (35 a 42 anos), o grau de aceitação de si mesmo revela o grau de maturidade psíquica que é esperado nessa fase. Aceitando a si mesma, aceita-se o próximo! Se a pessoa olhar o outro criticamente, tende a se isolar e sentir um vazio interno, que é prejudicial. Por outro lado, é aí que reside a oportunidade de crescer e transcender suas limitações. Nessa fase, é possível ver a essência do outro e sentir o amor verdadeiro.

O sétimo setênio (42 a 49 anos) retrata o momento em que é colhido aquilo que foi plantado. O conhecimento e experiências são agora repassados para servir o outro. Quem assim o fizer, seja para colegas mais jovens e filhos, sentirá os benefícios na fase seguinte. Pode haver uma preocupação nos âmbitos físicos e sociais. Primeiro que o físico não aguenta mais o ritmo que sempre levou e pode-se sentir ameaçado pelos mais jovens, não havendo uma abertura para novos valores e colaborar com os mesmo com seu conhecimento adquirido.

No oitavo setênio, não importa mais o que se quer realizar, mas sim o que  os outros demandam para realizar, consumando o desejo de contribuir para a sociedade e para a família. É importante que o casal que esteja nesta faixa etária encontre novos valores e propósito, havendo um aprofundamento no casamento.

No nono setênio (56 a 63 anos), a percepção externa pode diminuir, porém a interna aumenta muito, e emana sua luz interior para todos ao seu redor. Ou ela continuará ranzinza, criticando o mundo externo.

A patir dos 63 anos, é esperado que a pessoa viva ancorada na sua essência e vivendo sua vida em liberdade.

Depois desse resumo breve, gostaria de deixar claro que há uma formação em Biografia e que nós psicólogos podemos usar essa ferramenta para perceber certas crises e acontecimentos que são comuns para todos os seres humanos. Porém só quem faz a formação, está apto para usá-la de forma aprofundada. Espero que tenham gostado de falar um pouco da Antroposofia, agregando para nossa área de Psicologia!

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Luz para todos, Patricia.